dimensão urbana

É tempo de transformação! Faz-se urgente a revalorização das áreas centrais, urbanizadas e consolidadas, através de intervenções pontuais

nelas e em suas envoltórias, que não agridam ou criem novas cicatrizes na cidade, mas que convidem o pedestre ao livre trânsito e criem novos centros geradores de fluxo e uso.

Neste sentido, o reuso de edifícios pré-existentes, além de contribuir para a preservação do patrimônio, vem a calhar, minimiza o impacto de uma nova interferência no meio e vai de encontro ao conceito de sustentabilidade, através da minimização de entulhos, dos gastos energéticos e de recursos naturais, ônus indissociáveis da construção civil.

 

recife antigo

A cidade praiana de Recife apresenta estreita relação com as áreas públicas. Cortada por rios, ela apresenta significativo número de praças e áreas verdes. No entanto, estas vão ficando mais rarefeitas na região central, bastante adensada e urbanizada, quase sem respiros.

Contraditoriamente, é nesta região que se encontram boa parte dos serviços e polos culturais, de comércio e de turismo da cidade. Ou seja, o pedestre se faz presente na área, mas não recebe a devida atenção, não são raros os passeios estreitos, inóspitos, sem sombreamento adequado e com pavimentação deteriorada.

 

áreas urbanas centrais construídas

e consolidadas

As cidades são um conjunto de extratos que refletem acontecimentos sociais, econômicos, culturais e históricos. Sobrepor mais camadas que respeitem as já existentes, promovendo melhorias espaciais e sociais, contribui para a sustentabilidade urbana e arquitetônica.

Diante do caos urbano atual, aceitar a configuração urbana imposta e acrescentar novas intervenções pontuais que permitam uma transformação gradativa, é uma solução eficiente, de baixo custo e que não causa transtornos aos habitantes.

Neste sentido, aplica-se o conceito de resiliência, o qual reexamina a maneira de pensar sobre o sistema urbano e seus distúrbios. Aplicando à

cidade, pode ser definida como a capacidade de um sistema de absorver perturbações urbanas e recuperar suas funções após o distúrbio. Portanto, o conceito operacional implicaria na necessidade de adaptar o funcionamento do sistema urbano com seus componentes já existentes para potenciais interrupções, visando reconstruir o sistema urbano.

Assim, o conceito de resiliência aplicado para a cidade parece encontrar traduções operacionais, especialmente para serviços urbanos, que também atendam aos objetivos de sustentabilidade.

 

E se parássemos de sistematicamente demolir

e construir? é tempo para a transformação de

edifícios áreas urbanizadas e existentes.

 

soluções urbanas

Tendo como pano de fundo a situação atual da região central da cidade e o conceito de resiliência, propõem-se algumas intervenções urbanas, buscando-se valorizar a mobilidade ativa (pedestres e bicicletas), tendo o indivíduo como elemento central da vida urbana e não o carro, tendo em vista a farta gama de edifícios de serviços, culturais, históricos e sociais existentes nessa área. Para tanto, propõem-se a criação de calçadões que seriam integrados ao sistema viário de bicicletas e alguns pockets parks, os quais poderiam acontecer nos miolos de quadra. Visto a grande densidade de construções na região estas áreas vão proporcionar espaços de convivência que despertam a curiosidade dos frequentadores com um ar mais intimista.

“Este tipo de “transgressão” – diferente da restauração e reabilitação, mas não menos importante – deve se tornar comum no processo de reversibilidade da cidade contemporânea. Reutilizar, reciclar, é a lógica do tempo, uma abordagem que é avaliada em termos das estratégias a serem implantadas de forma sustentável, conforme afirma Christian de Portzamparc: “O sustentável, o transformável”. Reversibilidade rima com mutabilidade. Ou seja, permite dar uma segunda vida (ou mesmo terceira) para uma arquitetura de qualidade como muitos dos edifícios localizados no Recife Antigo.

 

restaurar,

reciclar,

transformar

 

Em franco processo de degradação, externamente a edificação apresenta se ainda bastante integra em suas características originais, um grande desafio ao projeto, tendo em vista que se faz necessária parcimônia para que o anexo proposto, necessário à nova demanda de uso, não agrida e nem comprometa a leitura do edifício histórico.

Deste modo, propomos o pleno restauro da edificação histórica, a demolição do edifício espúrio locado em meio de quadra, e o aproveitamento da estrutura da terceira construção, localizada na divisa, buscando-se minimizar os impactos gerados pela adaptação ao novo uso.

Visando atender as necessidades do Porto Digital, serão implantados três

novos pavimentos sobre o terceiro edifício. Buscou-se respeitar o gabarito

imposto pelo edifício histórico, colocando um chanfro nos últimos andares, a fim de que o observador não veja os pavimentos que o excedem. Ainda, forma usadas cores que harmonizem as anexações ao pré-existente e não o sobreponha. Uma espécie de viela, que vai do térreo ao terraço cria o distanciamento necessário à leitura temporal das construções.