O grande desafio deste projeto foi à busca pela integração entre todos os terrenos que compõem os Parque Central e Sul, os quais formam a área designada para o presente concurso, entendendo-os não como duas áreas separadas, mas sim como uma única. O principal objetivo, então, foi a criação de um único parque que ofereça lazer e entretenimento a toda a região, além de trazer bem estar e segurança aos moradores locais.
Em primeira análise foram observados seis pontos que se relacionam à área:
1. As conexões ambientais que poderiam ser estabelecidas entre o parque projetado e outras áreas verdes relevantes, como o Parque Reserva Ecológica.
2. A proximidade com o Eixo de Dinamização estabelecido pelo planejamento regional.
3. As possibilidades de utilização do elemento água no projeto, uma vez que a área está localizado no topo da Bacia do Lago Paranoá e que não possui veios aquíferos.
4. As condições viárias que delimitam o parque e criam um ambiente intensamente fragmentado, formado por onze quadras com formas diversas e cruzadas por vias de alta velocidade, algumas curvas de grandes raios e alças de acesso.
5. A infraestrutura de transporte público existente, principalmente a proximidade com duas estações de metrô.
6. Os fluxos de pedestres, criados de maneira espontânea e marcados no terreno, que dão indícios da movimentação existente e que permitem reconhecer as atividades cotidianas do local.
A partir da análise desses pontos, surgiram duas questões que nortearam o desenvolvimento da proposta: Quais as conexões possíveis com o entorno? Como promover relações internas que unifiquem o território, tão fragmentado? Como o parque se insere na vida cotidiana do espaço urbano?
Hoje, o terreno encontra-se bastante degradado com detritos de obras, plantio de eucaliptos. Do ponto de vista humano, a área é bastante árida e hostil, com edifícios que se fecham para a rua, formando um cenário nada convidativo a inserção de um parque. Neste sentido, baseou-se o projeto proposto no conceito da sustentabilidade urbana, ou seja, tendo como foco propiciar aos usuários um parque de qualidade, que harmonize-se com o existente e que consiga manter-se como um organismo vivo e mutável. Acredita-se portanto que, dando-se o ferramentário necessário a área ela pode, através de sua capacidade de resiliência, atingir este objetivo.
Para a solução destas questões, e tendo em vista a situação atual da área, o partido principal adotado foi a criação de um trajeto principal que se conecta de maneiras diversas com as situações do entorno, que percorre todas as quadras que compõem a área e que cria setores que promovem o acolhimento da vida local.
A delimitação do caminho principal baseou-se no reconhecimento dos fluxos não motorizados, buscando facilitar a circulação dos transeuntes e criar um circuito com unidade, que costure as quadras existentes a fim de articular os Parques Central e Sul, transformando-os num só. Para tanto, propõe-se duas linhas articuladoras – a pista de caminhada e a ciclovia – que cortam o terreno de norte a sul e emolduram as atividades.
As atividades junto deste circuito buscam distribuir o programa de forma a buscar uma transição harmoniosa entre as construções existentes e o meio vegetado, a partir da criação de espaços que denominamos bordas. A partir disto, dá-se uma espessura a borda habitual, que hoje que evade o limite da calçada e convida o usuário a adentrar o parque. Nesta zona criamos espaços com uma programação voltada ao cotidiano atendendo as necessidades do morador das redondezas.
Mais internamente, nas áreas de entremeios, ficam as atividades que geram maior ruído, maior público e de usos noturnos, criando uma dinamização do Parque e consequentemente maior segurança aos usuários.
A relação com o entorno acontece, então, através tanto do caminho principal quanto das bordas, criando um espaço fluido e articulado. Ao norte, com a Reserva Ecológica, e ao sul, com o Eixo de Dinamização, foram pontuados o início e o fim deste trajeto. Já no decorrer do percurso foram criadas zonas que ora servem de marco de acesso para os fluxos de quem chega pelo metrô, ora servem de transição entre as atividades da cidade e do parque.
Outro grande desafio ao projeto são os trilhos do metrô, que cortam de leste a oeste a área de intervenção e formam, juntamente com os recuos exigidos, uma barreira bastante significativa. Entendendo-o como elemento constituinte da paisagem urbana e não um empecilho ao exercício do projeto, propõe-se integrá-lo ao desenho proposto.
As vias que cortam a área comprometem a circulação dos pedestres, com curvas bastantes acentuadas e trânsito de alta velocidade. Deste modo, propõe-se uma política de segurança viária, através do uso de passagens em níveis, redução dos limites de velocidade e tratamento de piso diferenciado.
Todas estas premissas iniciais, fruto da análise da área proposta para projeto, buscando identificar suas potencialidades, somaram-se ao desejo de criar um equipamento público de qualidade, interessante, que estimule as relações interpessoais, transforme a paisagem local, hoje bastante inóspita e, ainda, traga bem estar e lazer aos moradores dos arredores.

+INFORMAÇÕES
Name : Parque Central e Sul de Águas Claras
Equipe +1 : Ana Maciel + Tiago Brito + Luis Milan
Parceiros : _
Cliente : Terracap
Local : Águas Claras – Distrito Federal
Data : 2015