CASA e SUSTENTABILIDADE são conceitos que foram repensados na elaboração deste projeto. A relação entre eles também. A interpretação de cada um depende das bases que se toma para entendê-los e construí-los. Os questionamentos que rodeiam o projeto se baseiam na necessidade de entendimento desses dois conceitos e da possibilidade de contribuir para o enriquecimento da discussão sobre como cada um deles deve ser encarado. No mundo de hoje, a casa como espaço da unidade ou da coletividade? A sustentabilidade como algo inovador ou natural?
Partindo dos conceitos “Triple Bottom Line” de John Elkington, que tem a sustentabilidade resumida em “PESSOA, PLANETA, LUCRO”, e no “Green Building Challenge ™”, com suas “SEIS PÉTALAS TEMÁTICAS”, definiu-se um partido para o Projeto da Casa da Sustentabilidade que consiste na soma de três novos conceitos que se relacionam entre si e que colaboram com a definição do projeto arquitetônico e paisagístico da Casa da Sustentabilidade, sustentando a sua construção: SIMPLICIDADE, DURABILIDADE E SENSIBILIDADE.

SIMPLICIDADE – Baseia-se na ausência de excessos, com soluções simples e práticas, aplicáveis em diversas situações, que podem levar os visitantes e frequentadores da Casa da Sustentabilidade a adotá-las efetivamente.
DURABILIDADE – Apresenta-se em forma de questionamentos: Até quando se quer esta instalação desta forma? Até quando será usada para esta finalidade? Qual o uso posterior para esta construção? Quais os melhores materiais para a construção sustentável? A escolha correta é a que responde à essas questões e a aplica de forma simples e eficaz
SENSIBILIDADE – É o ponto principal da Casa da Sustentabilidade. É o objetivo da construção sustentável, que irá sensibilizar as pessoas para a importância de repensar os modelos de consumo, mostrar que existem soluções simples que podem afetar diretamente sua qualidade de vida de forma positiva.
Estes três novos conceitos serão a base que sustenta as temáticas utilizadas para pensar e executar o projeto: água, energia, sistemas e materiais, conforto, inspiração e o local de inserção no cenário urbano de Campinas, precisamente o Parque do Taquaral. E dentro deste cenário de definições de conceitos, estes temas são entendidos e definidos como:
ENERGIA: pensada enquanto “capacidade que um corpo, uma substância ou um sistema físico têm de realizar trabalho”. Sua aplicação vai além da eletricidade, englobando todos os combustíveis que utilizamos no dia a dia, desde o gás de cozinha até o alimento que consumimos.
ÁGUA: trabalhada dentro das dinâmicas naturais do local, da região, sendo esta dinâmica considerada para elaborar os sistemas internos de consumo das edificações.
SISTEMAS E MATERIAIS: não pensado como elemento isolado, onde apenas suas qualidades materiais são relevantes, mas sim enquanto parte de um sistema, considerando que a disponibilidade pode vir a ser um forte aliado a sustentabilidade.
CONFORTO: enquanto bem estar material, comodidade física, qualidade de vida, conseguido através do entendimento e respeito às condições locais, seus potenciais e suas fragilidades.
INSPIRAÇÃO: que instiga provocações, criatividade, entusiasmo, vontade de estar ali e de levar algo dali para o dia a dia.
SITE / LOCAL: Ler/ Interpretar/ Pensar o local no qual o projeto será inserido e criar um diálogo entre o projeto, seu terreno de implantação e os seres que o habitam
Partindo desta conceituação, a Casa foi projetada como uma fita em espiral, que contribui para a fluidez da edificação e a integração entre o local onde está inserida e os novos ambientes criados na implantação do edifício. Dessa forma, incentiva-se o transitar entre o parque e estes ambientes, que se confundem entre passagens do dentro para o fora e se misturam na composição das paisagens.
A forma da edificação em si remete ao conceito de entropia, no qual a sustentabilidade é entendida não como um ciclo fechado de constante renovação e sem fim, mas que os processos de renovação e reutilização de energias e materiais têm como objetivo prolongar o uso da energia vital dos elementos, postergar o seu fim.
Assim, no desenrolar da espiral, a edificação se apresenta em três escalas distintas que tem como objetivo representar basicamente a unidade, o coletivo e a sociedade.
A unidade é a menor célula, a casa, que sensibiliza o visitante a olhá-la como um local que remete à moradia, apresentando soluções e sistemas de fácil acesso para a aplicabilidade em sua própria residência, em seu lar.
O coletivo é o pavilhão, em harmonia com o parque, uma vez que seu fechamento será sempre opcional e não uma condição imposta pela edificação.
A sociedade, enquanto um agrupamento de seres que convivem em estado gregário de colaboração, é representada pela maior construção, em grande escala e que compreende diversos tipos de atividades convivendo em harmonia.
A proposta é que o visitante percorra a Casa da Sustentabilidade, vislumbrando-a como um modelo de SENSIBILIZAÇÃO ao longo do tempo e CONSCIÊNCIA em relação ao local e não como um modelo de perfeição através da utilização de materiais e tecnologias de última geração. Propõe-se uma edificação inserida num Território, capaz de receber vários tipos de Funções/Adaptações ao longo do tempo (intervenção do homem) e às novas realidades.

Em resumo, a aplicação do tripé de sustentação do projeto deu-se da seguinte maneira:
A simplicidade na decisão das formas, a durabilidade na escolha de materiais e sistemas e a sensibilidade com o passeio pelas escalas da edificação, trabalhando desde a unidade até a integração da edificação com o parque e a sociedade.